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Casper Libero | Culture

Afinal, banhos mais curtos realmente podem salvar o planeta? 

Anna Goudard Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Nos últimos anos, o apelo para que as pessoas prestem mais atenção em seus hábitos e se preocupem com a sustentabilidade do planeta aumentou. Embalagens de papelão, canudos de papel, banhos mais curtos, trocar o carro pela bicicleta e reciclagem do lixo são apenas algumas das iniciativas que passaram a ser adotadas para diminuir as emissões de carbono e a poluição do planeta Terra. 

É fato que a ação humana transformou a Terra, elevando os níveis da temperatura do planeta e destruindo as paisagens naturais, causando um desequilíbrio ambiental. 2024 foi o ano mais quente da história até agora, segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia, excedendo 1,5°C de aquecimento acima do nível pré-industrial. 

Em meio a tantos desastres naturais, eventos climáticos extremos e extinção da fauna e flora, é esperado que paremos para analisar o que a sociedade moderna está fazendo de errado. Porém, no panorâma geral, não é o seu banho de 5 minutos que vai ajudar a salvar o meio ambiente. 

EMISSÕES DE CARBONO

Segundo dados atuais da InfluenceMap, 57 empresas produtoras de combustíveis fósseis são responsáveis por 80% das emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Apenas 5 companhias – ExxonMobil, Shell, BP, Chevron, e ConocoPhillips – produziram 11,1% das emissões de CO2 mundiais entre 1854 e 2022. 

Mesmo após o Acordo de Paris, em 2015 – que visava limitar o aumento de temperatura entre 2°C a 1,5°C, e que os os 190 países participantes apresentassem diminuição da emissão de gases do efeito estufa – muitos países ainda não estão cooperando para que essas metas sejam atingidas. 

A InfluenceMap afirma que dois terços das companhias de combustíveis fósseis fora da América do Norte expandiram suas operações entre 2016 e 2022. Na Ásia, região do país mais poluente do mundo, a China, 87% das empresas estão poluindo mais do que faziam 7 anos antes do Acordo de Paris. 

No setor da moda, a empresa Shein quase triplicou a sua pegada de carbono em 2023, sendo hoje a mais poluente do meio fast fashion, com emissão de 16,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono. 

Em 2019, a Petrobras foi eleita a vigésima empresa com maior emissão de CO2, responsável pela produção de 8,68 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. 

GREENWASHING 

No meio dessa luta para tentar manter o mundo em pé, muitas empresas mudaram seus modelos de produção e se tornaram mais sustentáveis. No entanto, outras se denominam “parceiras do meio ambiente” mas, na prática, estão longe disso. 

O greenwashing é uma estratégia de marketing adotada por várias grandes empresas, para que elas aparentem ter uma responsabilidade com a sustentabilidade. Porém, quando se analisa os dados das produções daquelas empresas, é possível ver que as promessas de “responsabilidade ambiental” e “produção ecológica” não foram verdadeiramente cumpridas. 

Qualquer empresa, privada ou estatal, pode fazer falsas publicidades, alegando ser sustentável. Essa prática acaba gerando um grande lucro para as companhias, já que atrai mais consumidores preocupados com o meio ambiente. Em 2019, uma pesquisa feita pela Union Webster mostrou que 87% dos brasileiros preferem comprar de empresas que sejam sustentáveis.

A JBS é a primeira empresa brasileira processada por greenwashing. Visando entrar na bolsa de valores de Nova York, a JBS mentiu sobre suas metas ambientais. A empresa afirmou que atingiria zero emissões de gases do efeito estufa até 2040. 

Segundo o The New York Times, a empresa foi processada pelo estado de Nova York, que alegou no processo que a carne bovina tem a maior emissão de gases de efeito estufa entre todas as produções de alimento (além de, no Brasil, consumir 70,5% do volume de água no país), e que as promessas de “bacon, asas de frango e bife com zero emissões” poderiam influenciar um grande público, que não costuma comer carne animal por razões ambientais, a consumirem seus produtos. 

Muitos outros gigantes da indústria já foram acusados de greenwashing, como a Fiat, Carrefour, General Motors, Nestlé, McDonald’s, Coca-Cola e muitas outras

ENXUGANDO GELO 

Falar sobre manter hábitos sustentáveis e “fazer a nossa parte” é quase como enxugar gelo, ultimamente. Porém, mesmo que pareça ser cada vez mais impossível mexer com quem está no poder, não podemos abaixar a cabeça e deixar de fazer a nossa parte.

É preciso um esforço para manter hábitos que ajudam a preservar o meio ambiente, prestar atenção nas marcas que consumimos e quais ações apoiamos. 

Quem sabe, ainda não exista uma pequena chance de tirar o nosso planeta de sua sina iminente. 

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O artigo acima foi editado por Rafaela Lima.

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Anna Goudard

Casper Libero '26

Journalism student, passionate about pop culture, music, writing, musical theatre and discovering the world.