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Caso Luighi Santos: O racismo que dribla as penalidades

Updated Published
Caroline Magalhães Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

O caso de racismo sofrido por Luighi Santos, atacante do sub-20 do Palmeiras, durante uma partida da Libertadores sub-20 no Paraguai, reacendeu o debate sobre a persistência do racismo no futebol e a ineficácia das punições em diversos contextos.

O episódio aconteceu no dia 6 de março, quando Luighi foi alvo de ofensas racistas e gestos discriminatórios por parte de torcedores adversários. A indignação do jogador, que deixou o campo aos prantos, se revelou em suas palavras na coletiva pós jogo: “ o que fizeram comigo foi um crime”.

Além de ser chamado de “macaco”, Luighi presenciou um torcedor imitando o animal enquanto segurava uma criança no colo. Apesar das denúncias feitas ao árbitro, nenhuma ação foi tomada durante a partida. A omissão da arbitragem e a falta de medidas imediatas por parte dos organizadores do torneio geraram críticas contundentes de clubes e entidades esportivas. O Palmeiras prometeu buscar justiça “até as últimas instâncias”, enquanto outros clubes e jornalistas cobraram um posicionamento firme da Conmebol.

A FRAGILIDADE DAS LEIS RACIAIS NO PARAGUAI

Um dos aspectos mais preocupantes é a fragilidade da legislação paraguaia em relação ao racismo. Apesar de o país possuir uma lei desde 2022 que prevê punições para atos discriminatórios, o racismo não é considerado crime, mas sim um ato infracional. As penalidades se limitam a multas que podem chegar a R$7,8 mil e não incluem prisão. Além disso, há dúvidas sobre a aplicação desta lei em casos envolvendo estrangeiros, como Luighi, já que ela menciona explicitamente a proteção de afrodescendentes no Paraguai.

Especialistas apontam que essa lacuna legal dificulta a responsabilização efetiva dos agressores. Para o advogado paraguaio, Julio Scarone, embora as ofensas possam se enquadrar na legislação vigente, a aplicação prática enfrenta entraves burocráticos e interpretativos. Essa realidade contrasta com o Brasil, onde o racismo é tipificado como crime inafiançável e imprescritível. 

A SAGA DA LUTA POR JUSTIÇA NO FUTEBOL

O caso não apenas expôs as deficiências legais no Paraguai, mas também levantou questões sobre a atuação da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito para investigar uma possível omissão da CBF no enfrentamento do racismo sofrido por Luighi. Entre as críticas estão a falta de questionamento formal à arbitragem e à súmula da partida, além da ausência de ações mais contundentes para pressionar por punições adequadas.

Em resposta ao episódio, o MPF iniciou uma consulta pública para colher propostas da sociedade civil sobre medidas para combater o racismo no futebol. A iniciativa busca articular ações preventivas e punitivas em parceria com entidades esportivas e governamentais. A inclusão da sociedade nesse debate é essencial para transformar o ambiente esportivo em um espaço mais seguro e inclusivo.

A RESPONSABILIDADE COLETIVA NO COMBATE AO RACISMO

O combate ao racismo no futebol deve ser uma prioridade compartilhada por toda a estrutura esportiva: clubes, federações, atletas, dirigentes e torcedores têm um papel indispensável na construção de um ambiente livre de discriminação. Não basta apenas punir os infratores; é necessário implementar políticas educacionais e campanhas permanentes que promovam respeito e igualdade dentro e fora dos gramados.

Atos racistas não são apenas ataques individuais, são afrontas aos valores universais que o futebol deveria representar. Cada pessoa envolvida com o futebol tem o dever moral de repudiar essas práticas abertamente e exigir mudanças concretas para que episódios como o vivido por Luighi Santos, nunca mais se repitam.

As lágrimas do jogador não foram apenas um reflexo da sua dor pessoal, mas também um grito coletivo contra o racismo estrutural que insiste em driblar penalidades. Sua coragem em expor publicamente o ocorrido reacendeu uma discussão necessária sobre responsabilidade institucional e mudanças urgentes no esporte.

O combate ao racismo no futebol exige uma abordagem multifacetada, como bem destacou Nelson Mandela, quando disse que:

“o esporte tem o poder de mudar o mundo. Tem o poder de inspirar, de unir as pessoas de um modo que poucas coisas podem fazer. Fala com a juventude em uma língua que eles conseguem entender. Esportes podem criar esperança onde antes só havia desespero. É mais poderoso que governos no que diz respeito a quebrar barreiras sociais”.

Enquanto o racismo seguir driblando as penalidades, seguiremos lembrando que, o gol mais importante sempre será o da igualdade.

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O artigo acima foi editado por Nicole Braga.

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Journalism student at Cásper Líbero & Copywriter.