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Como a falta de leitura interfere na desinformação?

Maria Alice Primo Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

No dia 23 de abril é comemorado o dia internacional do livro, e é importante usarmos essa data para tratar de um assunto que preocupa: a falta de leitura e o aumento da desinformação.

Em uma era de informações rápidas é raro ter paciência para se concentrar em uma leitura prolongada e isso tem ligação direta com o aumento no número de pessoas desinformadas. 

O Brasil é um dos países que mais sofrem com a diminuição no número de leitores, como mostram dados apresentados pela sexta edição da “Retratos de Leitura no Brasil”,  foram mais de 6 milhões de pessoas que deixaram de lado o hábito da leitura em menos de quatro anos.

Em uma conversa com a professora Eliana Rosa, responsável pela biblioteca em uma escola no sul de Minas Gerais, ela afirma que o acesso à internet foi um dos responsáveis pelo afastamento da leitura: “O acesso às redes sociais diminuiu bastante o interesse pela leitura, entre crianças e adolescentes. Mensagens de textos curtos levou a uma diminuição do tempo e paciência para a leitura de livros”.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, quase 90% da população brasileira admite ter acreditado em conteúdos falsos, e de acordo com um estudo feito pelo DNPontoCom, sete em cada dez brasileiros da geração Z leem somente os títulos e não prestam atenção no corpo das notícias. 

Tal fator é agravado com a popularização do uso de plataformas como o TikTok, onde o foco em vídeos curtos e em uma linguagem simplificada traz a sensação de estar adquirindo mais conhecimento sobre determinado assunto em um menor período. 

Essa falsa sensação de maior aprendizado faz com que muitos jovens prefiram buscar informações por meio das plataformas de vídeos curtos em vez de “se darem ao trabalho” de pesquisar e ler uma matéria no Google, mesmo que ela traga uma informação mais completa e mais segura sobre a maioria dos assuntos. 

O novo método de pesquisa que surgiu com o TikTok prioriza a aprendizagem de maneira passiva, na qual não é necessário praticar habilidades como a leitura e a interpretação de texto. A ânsia por um conteúdo de alto estímulo afasta cada vez mais os jovens do interesse pela leitura. 

Segundo a professora Eliana, a proibição dos celulares nas escolas de todo o Brasil está sendo responsável por “desintoxicar” as crianças e adolescentes do mundo virtual, e que por consequência, o interesse em atividades com estímulos reduzidos, como a leitura, tem voltado entre os alunos: “Nos últimos meses em que o uso de celulares foi proibido em todos os ambientes da escola, percebi que muitos alunos estão voltando a frequentar a biblioteca escolar à procura de livros, estão se interessando mais pela leitura, e isso é maravilhoso!”

O incentivo deve vir da infância: 

“A leitura na infância é fundamental para a formação de adultos leitores, críticos e conscientes, por isso é preciso propiciar às crianças, desde pequenas, o acesso aos livros e ao hábito da leitura.” — A bibliotecária chama a atenção para o papel das escolas em formar leitores, mas o papel da família também é indispensável. 

O contato com a leitura surge desde muito cedo, quando os familiares leem histórias para os pequenos, na hora de dormir, por exemplo. Porém, essa prática é normalmente deixada de lado conforme as crianças vão crescendo, algo que não pode acontecer. 

É importante que as famílias proporcionem momentos de leitura em conjunto, essa prática é importante para servir como um incentivo para as crianças pegarem gosto pelo hábito da leitura, além de aproximar as relações familiares, propondo momentos de conversa e reflexão.

Eliana relata que o incentivo a leitura é essencial para a formação dos adultos, além de ser responsável por desenvolver muitas habilidades na vida das pessoas: “O despertar da leitura desenvolve muitas habilidades na vida: estimula a criatividade, aumenta o vocabulário, facilita a escrita e simplifica a compreensão do mundo, liga seu senso crítico na tomada, enfim, a partir da leitura as pessoas tem grandes chances de se tornarem bem informadas”.

O hábito de ler é construído, e quanto antes for apresentado e incentivado na vida de uma pessoa, maiores são as chances de que ela se torne uma pessoa interessada, não só nos livros como em notícias, reportagens e na busca pelo conhecimento.

Maneiras de estimular a leitura: 

Por conta do crescente desinteresse pela leitura e pela informação, projetos que incentivam a leitura para públicos de todas as idades se tornaram ainda mais necessários. 

Um exemplo desses projetos que incentivam a leitura acontecem na Her Campus Cásper Líbero. Um clube do livro organizado pelas alunas, para as alunas. São encontros mensais nos quais as participantes discutem as impressões com a leitura e como aquele livro impactou cada uma. Essa troca de conhecimento enriquece a experiência e a expectativa de ter alguém para conversar sobre a leitura faz toda a diferença no incentivo a essa prática.

Já no meio infantil, a professora ressalta a importância de trazer o lúdico e ativar o imaginário das crianças para que elas fiquem interessadas nas leituras: “São usadas muitas estratégias para despertar nas crianças o interesse pela leitura, como: o contar das histórias com dramatização, a utilização de  recursos como fantoches e palitoches, e a prática mais querida pelos meus alunos, a criação de histórias a partir de objetos colocados dentro de uma caixa que eles chamam carinhosamente de “caixa mágica”, nesse processo eles são responsáveis por desenvolverem sua próprias narrativas.”

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O texto acima foi editado por Eduarda Lessa.

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Maria Alice Primo

Casper Libero '27

Journalism student at Casper Líbero College.
I like reading and writing about politics, culture and entertainment.