O fenômeno
“Tenho mais medo de três jornais do que de 100 baionetas.” Essa é uma famosa frase de Napoleão Bonaparte que ilustra com precisão o temor que o poder da imprensa causa em líderes autoritários, e a resposta mais simples ao medo é o ódio.
Jornalistas sempre amedrontaram os poderosos, principalmente os tirânicos. Afinal, não é novidade que os profissionais da imprensa possuem credibilidade e, com ela, podem formar e mudar opiniões. Esse poder no quesito político, representa, por regra, a oposição. O jornalista trabalha como um eterno contraponto, criticando, fiscalizando e denunciando qualquer ação governamental que possa influenciar a sociedade.
“Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.” Ou seja, o que não for jornalismo crítico, é apenas um comércio de qualquer outra coisa. A célebre frase do jornalista e escritor Millôr Fernandes é a clássica escolha para quem quer sintetizar a função social do jornalista em uma fala.
Essa oposição constante é o que mantém a imprensa como um dos principais pilares de qualquer Estado democrático, vigiando as medidas de todo e qualquer governo, sendo como um Quarto Poder. Atacar a imprensa é, necessariamente, atacar a democracia e por isso, o fenômeno é grave e não pode ser normalizado.
O cenário brasileiro
No Brasil, especificamente, o direito à imprensa de ser livre e combativa está garantido pelo Artigo 5° inciso IX da Constituição Federal de 1988. Mesmo assim, não faltam pessoas tentando silenciá-la.
O ex-presidente, Jair Bolsonaro, é um caso emblemático e didático desse fenômeno. Desde o começo de sua campanha até hoje, ele ataca veementemente jornalistas, principalmente quando se trata de mulheres.
Todos esses casos do ex-presidente geraram muito apoio aos jornalistas, mas também muitos ataques. É indiscutível que grande parte da população brasileira perdeu a confiança em profissionais da imprensa e o papel dos políticos nisso é quase absoluto.
Quando a imprensa é desacreditada sistematicamente, o acesso a informações confiáveis e verificáveis é minado e abre-se espaço para teorias conspiratórias, desinformação e para o fortalecimento de lideranças antidemocráticas que se beneficiam da confusão informacional. Por isso, essa descredibilização é extremamente perigosa.
Jornalistas só são atacados porque são verdadeiramente poderosos. A informação pode mudar tudo e ela deve ser espalhada por pessoas qualificadas para isso. Lutar pelo direito de informar vai ser sempre uma causa dos jornalistas, mas ela deve ser também uma luta do povo que busca manter a democracia funcionando. O ataque à imprensa é o primeiro nível do ataque à democracia e um dos mais eficientes.
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O artigo acima foi editado por Rafaela Lima.
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