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O que é “coming of age” e por que as universitárias se identificam tanto com esse gênero?

Maria Eduarda Barreira Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

“Coming of age”, que traduzindo quase literalmente significa “chegando à maturidade”, é um dos gêneros literários e audiovisuais que mais tem ganhado notoriedade, por transmitir a essência do que significa ser jovem. Todos os pequenos problemas que se transformam em verdadeiros dramas, que daqui a 5 anos você com certeza vai ter esquecido porque aquilo tinha acontecido. Todas as paixões adolescentes, as amizades que fazemos nessa época, e principalmente, o autoconhecimento e o crescimento pessoal que acontecem nesse ciclo de amadurecimento tornam esse período tão único. 

O que faz com que as universitárias se identifiquem tanto com o gênero é justamente porque fala sobre uma dor de todas as pessoas: lidar com tantas responsabilidades em um mesmo tempo, sentir que o amadurecimento está chegando cada vez mais perto. Enquanto você ainda está na escola, se sente como uma criança até chegar ao final do seu último ano, quando vai sentir um simples e puro pânico. Mesmo tendo certezas, você começa a duvidar delas e sente que você precisa virar um adulto o mais rápido possível, mas como fazer isso? 

Nesse contexto, a genialidade de “Lady Bird – A hora de voar” é apresentada, porque está no simples fato de ser aqueles filmes em que “não acontece nada” a não ser pela vida conturbada de uma adolescente na Califórnia, mas poderia se passar em literalmente qualquer país do mundo. Além disso, eu amo o fato de podermos nos sentir “perto” da protagonista de modo que ela faz e passa por tudo que nós já passamos um dia como: mentir, parecer meio maluca, se apaixonar pelo cara errado, brigar com a mãe e entender que pode ser só excesso de zelo, se sentir deslocada e às vezes acabar brigando com sua melhor amiga. O final, para mim, é a tradução cinematográfica de quando você percebe que a maturidade chegou de vez, quase como uma redenção de si mesmo.

Quando se é criança ou adolescente, o mundo parece ser um lugar mais colorido. As preocupações na maior parte do tempo são quase nulas, se você teve um dia ruim pode apenas correr para o colo de seus pais que vai ficar tudo bem. Você tem tempo para ter hobbies, como desenhar ou, apenas brincar, até virar um adulto “chato”. E quando se torna um adulto, vêm todas as responsabilidades e problemas de uma vez só e de repente, um mundo de coisas entra na frente do que você gosta, deixando de fazer seus antigos hobbies e assim acaba se tornando mais um tipo de adultos programados para ficarem cansados o tempo todo. 

No meio dos adolescentes esperançosos e adultos chatos, estamos nós, universitárias, que já não somos mais nem crianças e muito menos adolescentes, que quando fazem a temida pergunta “O que você quer ser quando crescer?” podem simplesmente responder “Não sei”. Ainda não somos 100% adultos, mas já começamos a sentir a pressão como se fossemos um. Ademais, não adianta simplesmente negar o amadurecimento, e sim encará-lo e ter em mente que sim, você vai errar, assim como vai acertar. Vai ter momentos bons e ruins no trabalho e na faculdade, do mesmo jeito que acontecia na escola e é importante sempre se lembrar que apesar de ser um processo doloroso, é necessário. Um dia você vai agradecer por ter passado por esse desenvolvimento, assim como eu espero agradecer por estar passando por isso também.

Falar sobre as angústias do amadurecimento e não falar sobre “De repente 30” é quase um crime. Diferente do que muitos possam imaginar, a cena mais carregada de nostalgia, para mim, não é necessariamente clímax ou final, e, sim, a cena em que ela está em um ônibus e vê um grupo de meninas adolescentes conversando. Mesmo como adultas, acho que vamos para sempre olhar essas meninas com um olhar de ternura e nostalgia, porque no final vamos sempre sentir saudades de ser esse tipo de meninas.

As noções de amadurecimento mudam conforme passa-se o tempo, por isso a geração Z e os Millennials tiveram transformações progressivas na definição de “o que é amadurecer”.  Há uma mudança geracional dos valores sociais, já que a nossa geração, diferente da geração dos nossos avós, não preza mais por casar-se cedo, ter vários filhos e um trabalho estável em uma metrópole. Hoje, as coisas mudaram e muitas pessoas escolhem não se casar e nem ter filhos, e ter um trabalho flexível onde ela possa prezar pelo seu próprio desenvolvimento pessoal.

Não podemos negar também que a economia instável também tem influência nisso. Mas, se você acha que a tecnologia não poderia interferir nisso, não pode estar mais enganado. A cultura do prazer imediato, advinda das novas tecnologias e da globalização, torna os jovens cada vez mais mimados, já que eles têm tudo nas mãos na hora e onde quiser, deixando de lado, por exemplo, a paciência, atributo muito necessário quando se é adulto.

Impossível finalizar esse texto e não falar sobre “uma nota na mesa de um adulto recém-nascido”, denominação essa extremamente identificável de um texto escrito pela cantora Lorde em seu aniversário de 20 anos. Ela fala que, desde que era pequena, ela sabia que os adolescentes brilhavam, porque eles sabiam uma coisa que as crianças não sabiam e que os adultos acabavam esquecendo. Pessoalmente, sinto que, quando se é adolescente, apesar de todos os percalços, nos lembramos do pouco tempo que temos para viver essa fase da vida, por isso também podemos agir de maneira irresponsável durante essa época. Mas, de fato, eles brilham pois sabem que estão no auge da vida e não tem medo vivê-la. 

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O texto acima foi editado por Giulia El Houssami.

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