Durante o Super Bowl LIX, um dos eventos de maior audiência do ano, que aconteceu no penúltimo domingo (09/02), Taylor Swift foi vaiada ao aparecer no telão, incitando comentários desrespeitosos.
A cantora e compositor está em um relacionamento com Travis Kelce, jogador do Kansas City Chiefs, time que perdeu para os Eagles nessa última partida, e tem aparecido com frequência nas partidas de futebol americano ao longo do último ano.
A presença de Swift em eventos da National Football League vem causando polêmicas desde o início de seu namoro. Torcedores insatisfeitos alegam que a NFL estaria “obcecada por Taylor”, incluindo referências às suas músicas em posts nas redes sociais e até batizando uma jogada com seu nome.
Foi comprovado o lucro que veio para o futebol americano após o início das “mini-aparições” de Taylor nos jogos, seja por conta de apostas envolvendo seu nome ou de fãs se movimentando para divulgar e comparecer ao megaevento, demonstrando que a NFL pode sim estar se aproveitando da influência de Taylor Swift que, inevitavelmente, afeta a economia da cidade que sedia as partidas de futebol americano e, segundo dados, do país inteiro.
Os torcedores dos Eagles, time o qual Taylor se considerava torcedora e é, inclusive, mencionado em uma música da artista, “gold rush“, se revoltaram por conta de sua “traição” decorrente da relação com Travis Kelce e começaram a levantar discursos de ódio contra ela – que cresceram tanto até deixarem de ser apenas sobre a rivalidade entre torcidas e ultrapassaram as barreiras da vida pessoal da cantora.
Os linchamentos também estão atrelados ao envolvimento político de Taylor, que vem se posicionando politicamente desde 2020, participando de campanhas a favor do partido Democrata e declarando em suas redes sociais que votaria contra Donald Trump e o partido Republicano.
Além de dar uma entrevista à revista V Magazine dizendo que votaria em Joe Biden nas eleições de 2020, Swift fez um post no qual mostrava os cookies que confeitou em apoio a Joe Biden.
Após o jogo do dia 09, o presidente americano Donald Trump, que compareceu ao Super Bowl e foi aplaudido por grande parte do público, publicou em sua própria rede social, TruthSocial, um post ironizando a cantora e deixando claro que o seu movimento político Make America Great Again “não perdoa fácil e não a perdoará”.
Para as eleições de 2024, Taylor Swift declarou, através de seu Instagram, apoio à candidata democrata Kamala Harris. No post, também mencionou o uso de Inteligência Artificial para a criação de imagens onde ela supostamente estaria apoiando Trump. A cantora desmentiu os boatos e afirmou:
“Eu votarei em @kamalaharris pois ela luta pelos direitos e causas que eu acredito que precisam de uma guerreira para defendê-los“
histórico de críticas contra taylor
Essa não foi a primeira onda de hate que Taylor já sofreu. O histórico de críticas em relação à cantora é extenso e vem desde o início de sua carreira. Parte de suas músicas contam sobre sua jornada para superar os discursos de ódio e lidar com a superexposição inevitável que acontece ao entrar na indústria da música tão cedo – e ao atingir o nível surreal de fama que ela conquistou. Afinal de contas, ela se tornou a maior artista do mundo, quebrando recordes inimagináveis, e até mesmo os seus próprios.
Em seu terceiro álbum, Speak Now, Taylor lança a faixa “Mean”, que rendeu a dois Grammys (Best Country Solo Performance e Best Country Song). Essa foi a primeira música escrita pela artista em resposta a comentários maldosos, maneira que desenvolveu para lidar com as críticas da indústria.
Isso tudo através de seu jeito divertido e satírico de lançar uma música que compôs por conta própria, em um álbum escrito somente por ela, com uma melodia animada enquanto canta sobre coisas terríveis que foram ditas sobre ela, como um sinal de certa maturidade.
Famosos também entram na lista de haters da cantora. Desde o ocorrido na premiação de 2008 do VMAs, quando Taylor foi interrompida por Kanye West enquanto recebia seu prêmio, até o incidente com Kim Kardashian, que levou a produção do álbum reputation. A perseguição de West continuou, visto que o cantor segue mencionando Taylor em diversas ocasiões e fazendo com que rumores negativos sobre a cantora surjam.
Outros famosos também já destilaram críticas à Taylor na mídia, como foi o caso de Damon Albarn.
É possível ver que o hate contra a cantora, na maioria das vezes, tem origem no machismo presente na indústria da música e da alta competitividade estimulada por produtores e pela mídia, criando muitas vezes uma rivalidade inexistente entre duas partes que nem sequer sabem sobre o assunto.
Taylor já se pronunciou várias vezes sobre machismo, inclusive na faixa “The Man”, de seu álbum Lover. A música toda elabora as diferenças no tratamento de homens e mulheres na mídia, e ela deixa explícito que muitas das atitudes dela são criticadas exclusivamente pelo fato de ser mulher, como a fama de já ter namorado “muitos” homens.
A verdade é que Taylor Swift possui todos os aspectos para ser completamente odiada por homens e mulheres de todas as idades. Homens a odeiam, em sua maioria, por verem uma mulher em uma posição tão influente, capaz de moldar a indústria musical e até a economia.
Já as mulheres a odeiam pois, como a própria Taylor disse com sua música “Clara Bow”, do álbum The Tortured Poets Department, mulheres são ensinadas a substituírem umas às outras, a se verem como competição, desde sempre. Por isso, na música ela menciona que comparavam Stevie Nicks à Clara Bow e, posteriormente, Taylor Swift à Stevie Nicks, o que a leva a crer que ela poderia ser a próxima da fila.
Na faixa “Who’s Afraid of Little Old Me”, do mesmo álbum, Swift fez um voice memo sobre a composição da música, no qual disse:
“Então, estar sob o olhar do público desde o começo da minha adolescência, isso mexe, sabe, com a sua percepção sobre o mundo, com sua percepção sobre si mesma. A ideia de que o mundo tem esse senso de posse e não apenas um direito, mas eles acham que têm a responsabilidade de te julgar, de te criticar e opinar.”
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O texto acima foi editado por Anna Goudard
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